Sábado, 19 de Março de 2011

Dia do Pai

Hoje é Dia do Pai.
Desde já congratulo todos os homens que tiveram ou têm o prazer de poder ser chamados de Pai.

No outro dia, estava eu a conversar com a Dreamy Girl na paragem do metro, quando chega uma rapariga a falar sobre a prenda que ia oferecer ao seu pai.
Naquele momento pude vislumbrar uma tristeza no olhar da Dreamy Girl.
Lembrei-me então das palavras por ela proferidas cerca de quatro anos atrás:
"A saudade...que saudades que tenho tuas, pai. Como dói saber que não voltarei a ver os teus olhos a brilhar, o sorriso que contagiava uma sala. Como dói saber que não voltarei a ter uma resposta tua quando falar contigo..."

É tão triste e doloroso quando se perde alguém de quem se gosta muito. Quando crescemos a admirar alguém que acreditamos que estará sempre connosco ou pelo menos que não vai partir tão cedo...
Apanha-nos sempre desprevenidos...aquela dor que não mais se esquece, o vazio, o sentimento da dura crueldade que se apoderou de nós, e a certeza absoluta que não podemos fazer nada, a não ser chorar, chorar muito, numa tentativa vã de afastar a dor que não suportamos até finalmente não termos mais lágrimas que afastem a tristeza.

Depois do choque, temos duas hipóteses:
- Entregarmo-nos à tristeza; ou
- Levantarmos a cabeça, olhar para o que temos, agradecer e procurar por todas as formas seguir em frente.

Foi por esta última hipótese que a Dreamy Girl optou. E quando não mais conseguiu lutar sozinha procurou ajuda para aprender a lidar com a dor.

Ao contrário do que nos dizem, o tempo não apaga tudo. A dor não desaparece!!! No entanto, as memórias que guardamos e partilhamos das pessoas que partiram são as cicatrizes que nos permitem continuar. É preciso encontrar uma forma, e cada pessoa tem a sua, para fechar a maior das feridas que um ser humano pode ter.

Surgem-me agora à lembrança as palavras proferidas pela Dreamy Girl uns anos depois de perder o pai.
"Inicialmente pensei que o tivesse perdido completamente, mas não. Ele continua comigo. Tenho a memória do seu olhar, do seu sorriso e dos ensinamentos que me passou. É assim que o mantenho vivo. Na minha memória!!!"
"Gosto de falar dele, gosto de falar com ele, gosto simplesmente de me lembrar dos bons momentos que passei com o meu pai."

Há gente que vive muitos anos e não tem quem goste ou queira falar deles. Que tristeza que é!
Para mim, e a Dreamy Girl concordará comigo, a vida só vale a pena quando temos quem se lembre e goste de falar de nós. Quando temos pessoas que se lembram de nós com saudade, com carinho, então, podemos dizer que a nossa vida valeu a pena!!!

Em memória da pessoa que me ensinou a sorrir para a vida :)

Sexta-feira, 4 de Março de 2011

The Joy of Life

Dedico este texto de Chris McCandless à Dreamy Girl.

"So many people live within unhappy circumstances and yet will not take the initiative to change their situation because they are conditioned to a life of security, conformity, and conservatism, all of which may appear to give one peace of mind, but in reality nothing is more dangerous to the adventurous spirit within a man than a secure future. The very basic core of a man's living spirit is his passion for adventure. The joy of life comes from our encounters with new experiences, and hence there is no greater joy than to have an endlessly changing horizon, for each day to have a new and different sun."

Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

Momentos diferentes

No Sábado estava eu a conversar com a Dreamy Girl sobre a vida... "Na vida todos passamos por determinadas fases que marcam os nossos interesses, os nossos objectivos, que determinam o que é ou não importante para cada um de nós".
Chegámos à seguinte conclusão:
Numa determinada fase é importante a carreira, noutra os relacionamentos, noutra os filhos, os amigos, a realização pessoal, a retrospecção...Mas se nos falam de determinadas coisas pertencentes a uma fase diferente da que nos encontramos, bahhhhh!!!!
Todos nós já tivemos aqueles momentos em que chegamos ao trabalho e os nossos colegas estão a falar do cão, do gato, dos sobrinhos, dos filhos...o que acontece repetidamente, semana após semana, sendo que nós não temos nenhuma das coisas (nem cão, nem gato, nem sobrinhos, nem filhos) e mesmo que tivéssemos, costuma-se dizer que tudo o que é demais enjoa (refiro-me, claro está, à repetição da conversa todos os dias).
Ora, o que devemos fazer??? Bom, começamos por ouvi-los. Achamos que é importante criar uma boa relação no trabalho. E até achamos que as conversas com o tempo vão mudar, pois começamos a ter mais confiança.
Chega ao fim do 6º mês de trabalho e tu apercebeste que, afinal, a conversa não vai mudar, vai ser sempre aquele assunto. E se tu tentas alterá-lo, por exemplo, para um tema cinematográfico ou de literatura, vais ouvir simplesmente o silêncio, o silêncio de quem te diz com o olhar que isso não lhes interessa e que te devias calar porque estás a estragar uma conversa que estava tão agradável.
Pois é, existem aquelas pessoas que estão realmente em momentos diferentes das suas vidas; existem outras que nunca se interessarão por aquilo que é importante para ti porque têm gostos diferentes; existirão outras que simplesmente só se interessam por futilidades!?!
Fica a questão à qual nem eu nem a Dreamy Girl conseguimos responder:
O que fazer em situações como estas? É suposto ouvir todos os dias as mesmas conversas para ficarmos bem perante os nossos colegas e/ou patrões? Devemos fingir? Ou devemos manter-nos fiéis aos nossos ideais/interesses e dizer "Bom dia!" seguindo imediatamente para a nossa sala de forma a não sermos apanhados e presos na conversa de todos os dias?

Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011

Felicidade

E afinal o que é a felicidade?
Já abordei em vários posts que a felicidade é composta de pequenos momentos e também já referi o que gera esses pequenos momentos de felicidade na Dreamy Girl.
Lembro-me de dizer que ela não queria uma vida normal, aquela que supostamente todos procuram (namorado, marido, filhos, netos...). Mas no outro dia ela fez-me pensar quando disse que queria amar, queria ser capaz de se apaixonar verdadeiramente por alguém e que apesar do receio que sempre a levou a proteger-se do mundo à sua volta, sente agora que mesmo quando sai magoada de uma relação, há sempre algo de bom a tirar daí. Mais vale viver e sair magoada do que não viver esperando pelo príncipe encantado que provavelmente não sabe ler o mapa e nunca chegará ao castelo.
Então comecei a pensar, afinal quando nos dizem para procurarmos o nosso caminho, quando nos dizem para construirmos a nossa vida, o que na verdade nos estão a dizer é: arranja um bom trabalho, uma pessoa que te faça feliz, arranja uma boa casa, tem filhos e serás feliz. Ou seja, tens uma vida normal!!!
Ora, não acho que seja necessário isso tudo para sermos felizes, mas a verdade é que isso ajuda. Mas isso, só nos pode trazer felicidade se nos sentirmos realizados, i.e., se conseguirmos concretizar outros sonhos que anteriormente definimos como importantes para o nosso bem-estar. Sonhos que temos e que são só nossos, que não partilhamos, nem podemos. A felicidade é a um certo nível algo egoísta.
Assim, quando a Dreamy Girl disse que gostava de ser capaz de amar sem barreiras, sem medos o que me estava a dizer é que já tinha realizado tantos outros sonhos que agora estava realmente preparada para viver um novo. E agora sim, depois de realizar outros objectivos que tinha definido, a tal vida normal poderia fazê-la feliz. No entanto, não podemos esquecer que a Dreamy Girl não gosta de se sentir presa, precisa de respirar, mas já aprendeu que uma coisa não impede a outra e pode continuar a ser quem é, a sonhar e viver a vida com alguém ao seu lado, partilhando assim a sua felicidade. Uma felicidade que já possui mas que aprendeu que pode ser ainda maior se for partilhada. Pelo que, a verdadeira felicidade, i.e, o auge é atingido quando a felicidade é vivida a dois, quando é partilhada.

Domingo, 29 de Agosto de 2010

Uma "normal" trabalhadora

Na quarta semana, a contar do seu regresso, a Dreamy Girl já se encontrava a trabalhar.
Disse-me que estava feliz...que o lugar onde trabalha tem um bom ambiente, as pessoas são simpáticas, portanto, estava feliz.

No entanto interrogo-me se a sua felicidade é verdadeira. Passo a esclarecer.
Não duvido que as suas palavras sejam verdadeiras, quando me disse que estava feliz, acredito que o dissesse convencida disso mesmo. No entanto, reparem...depois de tudo o que vos mostrei sobre ela, acham que a Dreamy Girl é feliz estando o dia todo fechada num escritório?
Acredito que o possa vir a ser, mas tenho a certeza que isso não lhe basta, pelo menos por agora.
A Dreamy Girl é uma aventureira, uma rapariga que gosta de conhecer outras pessoas, outras culturas, adora surpresas, adora o contacto com a natureza, precisa sentir-se viva, e isso num escritório a entrar às 9h30 e a sair às 19:30 será difícil.
Creio que ela tenta reprimir o seu espírito aventureiro, a sua ânsia de coisas novas, o seu desejo de quebrar a rotina...e tudo isto porquê? Para ter o que toda a gente supostamente quer e lhe diz que deve procurar..."uma vida normal", uma "vida segura".
Ter namorado, casar, ter filhos, tudo isto aliado a um bom trabalho, continuando com os netos e culminando com a passagem para o desconhecido, o que alguns chamam de morte.
Mas será que a Dreamy Girl quer mesmo esta vida dita normal???
Quererão vocês esta "vida normal"? Isto basta-vos? Reparem...as relações acabam, os filhos crescem, os netos não precisam sempre de nós, a velhice chega. Que sobra então se não forem as pequenas maluquices que fazemos? Como ir de roupa interior nadar no rio Danubio em Viena, como ir viver para um outro país em que não conhecemos ninguém e nem dominamos a língua, conhecer pessoas durantes as viagens que fazemos, ouvir as suas histórias, fazer uma road trip e ir acampando por onde calha, ir para algum lado com amigos apanhando boleia, pegarmos na nossa vida e comandá-la sem interferências externas...
A Dreamy Girl contou-me que o seu sonho, no campo profissional, era trabalhar numa ONG. Poder ajudar os outros e ao mesmo tempo ajudar-se a si própria.
O que ela gostava era poder defender os direitos dos mais desfavorecidos, das minorias, viajando por algumas partes, fazendo contactos, conhecendo outros modos de pensar, encontrar soluções. Era isto que a faria realmente feliz.
Claro que há outras formas de atingir a felicidade, mas seriam apenas momentos de felicidade.
Contudo, e como já referi noutro post, a felicidade é esse conjunto de momentos.
Chamam sonhos àquilo que visualizamos como plena felicidade (é tudo tão perfeito quando sonhamos alto), mas como já demonstrei anteriormente, os sonhos podem tornar-se realidade. Não exactamente como os imaginamos, umas vezes melhores outras piores, mas podem vingar na vida real...
E sendo a felicidade composta de pequenos momentos podemos trabalhar num "lugar fechado" e ter vários escapes que nos trazem aqueles momentos, que nos permitem realizar sonhos e...ser felizes.
Vejamos o que nos reservam os próximos capítulos...


Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010

Resumo de um sonho

Aos 5 dias de Novembro de 2009 recebi um postal da Dreamy Girl. O postal era lindo!!! Vislumbrava-se o Big Ben, o rio Tamisa e o autocarro típico de terras de sua Majestade. Apenas o autocarro de dois andares deixava transparecer a sua cor, de um vermelho vivo, no postal a preto e branco.

Lembro-me de pensar, depois de ler o postal, de como aquele exemplar representava bem a aventura da Dreamy Girl. Era como num sonho: o autocarro vermelho a contrastar com a magia das fotografias a preto e branco que nos hipnotiza de tal maneira que não queremos desviar o olhar daquela “poderosa” imagem.

Não posso deixar de confessar a pontinha de inveja que tinha quando ouvia relatos da Dreamy Girl, tais como: a noite de Halloween que brilhava sob uma encantadora lua cheia; as suas danças no Waxy O'Conners, um magnífico pub irlandês, decorado com um confessionário e outros objectos alusivos ao cristianismo que, contrastavam com a pista de dança e os copos a baloiçar nas mãos; os seus passeios pelas ruas e travessas, pelo underground e buses da cidade, pelas feiras e belos parques londrinos, com o seu grupo de amigos internacionais que foi conhecendo; os jantares com a família portuguesa que conheceu no meio da rua quando andava à procura de informações sobre o Insurance Number; as procuras de emprego que a levavam a conhecer as ruas da cidade; as inúmeras festas com o grupo de amigos internacionais; a Thursday Thinking onde podia debater variados temas polémicos; o contacto com outras culturas; os inúmeros amigos que fez e com quem ainda hoje se comunica; o Natal que partilhou com a família numa pousada londrina; a Passagem de Ano partilhada com pessoas de diferentes cantos do mundo e abençoada pela neve que caiu ao bater das 12 badaladas; as experiências nos dois escritórios de advogados onde teve a oportunidade de trabalhar; o voluntariado com os sem-abrigo; e tantas outras experiências que a Dreamy Girl teve e partilhou comigo e as outras tantas que não me revelou.

Toda esta vivência em "terras distantes", longe da protecção da família, longe dos amigos e do ambiente que tão bem conhecia, fizeram-na crescer, deram-lhe força para seguir os sonhos que tem e que ambiciona realizar, permitiram-na conhecer outras culturas e outras formas de ver e viver neste mundo, permitiram-lhe ter uma experiência inigualável e voar por entre sonhos que tinha desde menina.

Foi com felicidade que recebi a notícia de que a Dreamy Girl ia ficar em Londres mais 2 meses para além dos quatro que tinha inicialmente previsto. E digo felicidade pois percebia o que isso significava para ela. Estava a adorar aquele tempo em Londres e não queria acordar tão cedo.
Contudo, como a própria Dreamy Girl costuma dizer, tudo tem um fim, e aos 29 dias de Março de 2010 aterrava em Portugal.

Na mala vinha o mesmo peso, 30kg. Mas agora não trazia apenas as roupas e pertences que levara para Londres. Ao abrir a mala vislumbravam-se livros, bombons, pquequenas recordações que juntou e outras tantas coisas compradas durante a sua estadia. E claro, as outras tantas coisas que lhe ofereceram na enorme festa/churrasco de despedida com que a brindaram e a obrigou a fazer a mala pela quinquagésima vez às 3horas da manhã de 29 de Março de 2010.
No pensamento trazia as memórias das aventuras que viveu e das pessoas que conheceu.
A razão dava-lhe a satisfação de ter conseguido realizar um sonho de menina e algumas certezas de que precisava.
No coração vinha, ainda que escondida, a saudade, a saudade, a saudade...
E assim viveu (n)um sonho...

Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

À aventura!!!

A vida é um misto de alegria, dor, dúvidas, certezas, anseios, lágrimas, sorrisos...O que nos parece péssimo num momento pode no minuto seguinte mostrar-se uma janela aberta para outro sonho. Por vezes temos de arriscar, temos de deixar tudo para trás, não pensar muito no dia seguinte e seguir em frente de mente aberta e preparada para uma nova aventura. São este tipo de coisas que nos mostra que estamos vivos e que torna a nossa vida interssante. Há que agarrar as oportunidade, fechar os medos num saco, atá-lo e atirá-lo para bem longe.

A Dreamy Girl aventurou-se e viveu durante 6 meses em Londres. Por entre emails, postais e MSN relatou-me as suas aventuras e desde já peço desculpa por não as ter partilhado aqui.
Lembro-me quando me disse: "Estou a pensar ir para Londres viver durantes uns tempos e melhorar o meu inglês!". Nesse momento pensei: "Esta rapariga é doida. Não conhece absolutamente ninguém em Londres, o inglês não é o seu forte, não tem casa, não tem trabalho garantido, acabou a faculdade agora...Não está bem! Isto passa-lhe!". Mas a verdade é que não passou e apareceu em minha casa com o bilhete de avião só de ida.

Nesse dia falámos durante horas. Lembro-me de como me pareceu decidida no inicio da conversa, mas no final quando nos despedimos consegui ver nos seus olhos o nervosismo. Recordo-me como a Dreamy Girl andava entusiasmada e ansiosa nos dias que antecederam a sua ida para Londres. Mas recordo-me ainda melhor dos seus receios. Confessou-me como estava com medo de não encontrar casa e trabalho.
A verdade é que passou por muito nesses meses. Disse-me que parece que esteve a viver em Londres anos e não apenas 6 meses.
Quando chegou foi para uma host family indiana, vegetarianos e só lhe deram comida vegetariana. Conclusão, numa semana perdeu 4kg. Na 2ª semana mudou para outra família. Mas essa família também era indiana e vegetarina. Contudo, desta vez teve sorte. A sr.ª dessa família cozinhava outras coisas. Quando deu por si já tinha recuperado o peso e ganhou mais uns quilitos. Falou com essa sr.ª e conseguiu o seu 1ª objectivo: uma casa para ficar.
As coisas lá iam aos poucos...arranjou alguns trabalhos e seguiu em frente com "o sonho na mente"